Não. Não há evidência de que Uber e 99 tenham reduzido o trânsito de São Paulo — e há muita evidência do contrário. Onde o transporte por aplicativo foi estudado a fundo, ele adicionou carros às ruas: entre 49% e 61% das corridas substituem viagens que seriam feitas a pé, de bicicleta ou de transporte público, segundo a Universidade da Califórnia (UC Davis). Boa parte do app não tira um carro da rua — põe mais um.
O aplicativo é prático, e ninguém discute isso. Mas conveniência individual e trânsito coletivo são coisas diferentes. Quando milhões de pessoas trocam o ônibus, a caminhada ou a bike por um carro com motorista, a conta da cidade não fecha. Vamos aos dados.
Uber e 99 tiraram carros das ruas de São Paulo?
A promessa original era sedutora: com o app, você não precisaria de carro próprio e a frota da cidade encolheria. A realidade se mostrou mais complicada. O estudo Disruptive Transportation, da UC Davis, entrevistou usuários em grandes cidades e concluiu que de 49% a 61% das corridas de aplicativo não teriam acontecido ou teriam sido feitas por um modo mais eficiente — a pé, de bicicleta ou de transporte público. Cada uma dessas viagens que migra para o carro de app é espaço viário a mais ocupado.
Não é um detalhe: é o mecanismo central. O app é tão conveniente que gera viagens novas (a chamada demanda induzida) e rouba passageiros do transporte coletivo, que move muito mais gente por metro quadrado de rua.
Por que o transporte por aplicativo aumenta o congestionamento?

Três forças empurram o congestionamento para cima. A primeira é o rodar vazio (deadheading): o carro de app passa boa parte do tempo circulando sem ninguém, esperando ou indo buscar a próxima corrida. Estudos internacionais estimam que cerca de 40% dos quilômetros rodados pelos apps são feitos sem passageiro no banco de trás — quilômetros que só existem por causa do modelo.
A segunda é a substituição do transporte público. Em San Francisco, a chegada dos apps veio junto de uma queda de cerca de 8,9% no uso do transporte coletivo, e uma pesquisa publicada na revista Science Advances apontou os aplicativos como o maior fator isolado do aumento do congestionamento na cidade. Um estudo do MIT foi na mesma direção: o transporte por aplicativo intensifica o trânsito urbano, não o alivia.
A terceira é simples: um carro de app é um carro. Ocupa o mesmo asfalto e enfrenta a mesma fila. São Paulo já registrou 1.902 km de vias congestionadas em um único dia (5 de setembro de 2019, às 18h30, pico histórico medido pela CET) e, em 2025, voltou a bater marcas acima de 1.300 km. Chamar um carro pelo celular não faz você furar essa fila — faz você entrar nela com mais conforto.
Quantos motoristas de aplicativo circulam pela cidade?
A escala ajuda a entender o efeito. Uma pesquisa do IBGE em parceria com a Unicamp identificou 704 mil motoristas de aplicativo e 589 mil entregadores por app no Brasil — e São Paulo é o maior mercado do país para esse tipo de serviço. São centenas de milhares de veículos que, no pico, disputam as mesmas marginais, a mesma Avenida Paulista e as mesmas radiais que todo mundo.
Nada disso faz do motorista de app um vilão: é gente trabalhando, muitas vezes como única fonte de renda. O ponto é de planejamento urbano, não de moral. Uma cidade que tenta resolver mobilidade colocando mais carros na rua — com ou sem app — está esvaziando o oceano com um balde.
A bicicleta elétrica é a saída que o app não é?
Para a maior parte dos deslocamentos de São Paulo, sim. A viagem urbana média é curta o suficiente para que trocar o carro pela e-bike em São Paulo faça sentido — e a bicicleta elétrica resolve exatamente o que o app não resolve. Ela não fica presa no congestionamento (usa ciclofaixas e ciclovias), não roda vazia, não disputa vaga e não paga rodízio: bicicletas, elétricas ou não, estão livres da restrição de placas. Enquanto o carro do app anda no passo da fila, a e-bike mantém ritmo constante, porta a porta.
E dá para levar gente e carga. A e-bike cargo Centauro GT, da Cyberbikes Brasil, traz bateria 52V 20Ah certificada UL 2271 (removível, para recarregar em casa ou no trabalho) e bagageiro traseiro para até 50 kg — suficiente para as compras, a mochila ou a rotina de entregas sem depender de gasolina. Já mostramos como a e-bike pode ser mais rápida que o carro em São Paulo nos horários de pico; contra um carro de app, a vantagem é a mesma — com a diferença de que a e-bike é sua e não tem tarifa dinâmica.
Perguntas frequentes
Uber e 99 realmente aumentam o trânsito?
As evidências mais robustas — de cidades como San Francisco e Nova York e de estudos da UC Davis, do MIT e da revista Science Advances — indicam que sim: o transporte por aplicativo tende a aumentar o congestionamento, porque gera viagens novas, roda boa parte do tempo sem passageiro e tira gente do transporte público. Não existe estudo equivalente mostrando que os apps reduziram o trânsito de São Paulo.
Bicicleta elétrica paga rodízio em São Paulo?
Não. O rodízio municipal de São Paulo restringe automóveis pelo final da placa; bicicletas, incluindo as elétricas enquadradas como bicicleta elétrica pelo CONTRAN, não têm placa e não entram no rodízio. Você pode pedalar todos os dias da semana, inclusive no seu dia de rodízio.
A bicicleta elétrica é viável no trânsito de São Paulo?
Sim. A cidade tem hoje centenas de quilômetros de ciclovias e ciclofaixas, e a rede continua crescendo. Para a maioria dos trajetos urbanos, curtos, uma e-bike bem conservada, com luzes e freios em ordem, torna o deslocamento diário rápido, barato e cada vez mais comum.
Menos carro, mais cidade
São Paulo não vai sair do trânsito colocando mais carros na rua — nem os com app. A saída passa por ruas melhores e por trocar parte das viagens de carro por modos que ocupam menos espaço. Se você quer fazer parte dessa mudança, comece trocando uma viagem de carro por semana pela bicicleta elétrica e veja o que muda na sua rotina.
Quer conversar sobre qual e-bike combina com o seu trajeto? Fale com a Cyberbikes Brasil no WhatsApp (wa.me/5511943911718) ou passe na loja: R. Embaré, 108 — Mirandópolis, São Paulo.
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