O sensor de torque mede a força que você aplica nos pedais e entrega potência proporcional ao seu esforço; o sensor de cadência detecta apenas que os pedais estão girando e libera um nível fixo de assistência escolhido no display. É essa a diferença central entre os dois sistemas de pedal assistido (PAS) de uma bicicleta elétrica — e ela muda completamente a sensação de pedalar.
Neste guia técnico da Cyberbikes Brasil, vamos abrir o sistema PAS por dentro: como cada sensor funciona na prática, a física por trás dos números, qual gasta menos bateria e qual combina com o seu tipo de pedalada. A fonte primária é a Grin Technologies (ebikes.ca), referência mundial em engenharia de e-bikes.
O que é o PAS (pedal assistido) na bicicleta elétrica?
PAS é a sigla de Pedal Assist System: o conjunto de sensores e eletrônica que liga o motor automaticamente quando você pedala, sem precisar acionar um acelerador no guidão. Segundo a Grin Technologies, o sistema pode responder à velocidade com que você gira os pedais (cadência), à força que você aplica neles (torque), ou a uma combinação dos dois. Bicicletas com esse comportamento são chamadas de pedelecs.
O grande benefício é o conforto: em um trajeto longo, ficar modulando o acelerador cansa o punho e o polegar. Com PAS, o motor entra sozinho e você só interage com o sistema quando quer mudar o nível de assistência — nos botões do display. No Brasil, o PAS tem ainda um papel legal: pela Resolução CONTRAN nº 996/2023, a bicicleta elétrica é equiparada à bicicleta comum justamente quando o motor funciona como assistência ao pedal, limitada a 32 km/h — sem exigência de CNH ou emplacamento dentro desses limites.
Como funciona o sensor de cadência?
O sensor de cadência mais comum é um anel de ímãs instalado no braço do pedivela ou no eixo central, com um sensor fixo que detecta a passagem de cada ímã quando você pedala. A eletrônica sabe que você está pedalando e a que velocidade gira os pedais — mas não sabe quanta força você está fazendo.
Um detalhe de engenharia que poucos conhecem: o número de pulsos por volta define a rapidez de resposta do sistema. Os sensores antigos tinham só 5 ou 6 ímãs no anel — era preciso girar quase meia pedalada antes de o motor acordar, e havia um atraso perceptível para cortar a potência quando você parava de pedalar. Hoje, segundo a Grin, 12 polos é o padrão e já existem sensores com 24 polos ou mais, o que permite uma resposta quase instantânea.
Outro ponto crítico: o sensor precisa distinguir pedalada para frente de pedalada para trás. Quando você puxa a bike de ré para tirá-la do bicicletário, os pedais giram ao contrário — e se o sistema não reconhecesse a direção, o motor dispararia sozinho. Por isso os sensores modernos usam sinais de quadratura (dois fios de sinal defasados) ou pulsos de largura variável para identificar a direção da pedalada.
Como funciona o sensor de torque?
O sensor de torque mede a força real que o ciclista aplica nos pedais. Na maioria das conversões, ele substitui o movimento central inteiro da bicicleta, com extensômetros (strain gauges) ou tecnologia magnetoestritiva embutidos no eixo. Mas a Grin Technologies cataloga vários outros métodos: sensores que medem a tensão da corrente, a flexão do eixo traseiro (técnica pioneira da BionX, embutida no próprio cubo do motor), a força na gancheira traseira, na coroa e até nos pedais.
Para dar escala aos números: uma pessoa de 60 kg em pé, com todo o peso sobre um pedivela horizontal de 165 mm, gera cerca de 97 Nm de torque (60 × 9,8 × 0,165). É essa ordem de grandeza que o sensor precisa ler com precisão, dezenas de vezes por segundo.
Com sensor de torque, a potência do motor costuma ser um multiplicador do seu esforço. Configurado em 1:1, cada watt que suas pernas produzem vira um watt extra do motor; em 2:1, o motor dobra sua força. Pedalou forte, recebeu força; pedalou leve, recebeu quase nada. É a famosa sensação “biônica” — a bike parece uma extensão das suas pernas.
Um detalhe de segurança importante: todo sensor de torque também embute um sinal de cadência. Isso permite calcular sua potência humana real (potência = torque × rotação) e impede que uma deriva no sinal de força dispare o motor com a bike parada.
Sensor de torque x sensor de cadência: comparação direta
| Característica | Sensor de cadência | Sensor de torque |
|---|---|---|
| O que mede | Giro dos pedais (velocidade) | Força aplicada + giro dos pedais |
| Entrega de potência | Nível fixo escolhido no display | Proporcional ao seu esforço |
| Sensação | Motor constante, esforço independente do terreno | Como uma bicicleta comum “turbinada” |
| Subidas | Motor compensa sem exigir mais das pernas | Você precisa pedalar mais forte para receber mais |
| Custo e manutenção | Mais simples e barato | Mais caro e complexo |
| Ideal para | Commuter urbano, quem quer chegar sem suar | Quem quer treinar e “merecer” a potência |
Qual é melhor: torque ou cadência?
Depende do que você quer da sua bicicleta elétrica — e a resposta da Grin Technologies surpreende quem assume que torque é sempre o “padrão ouro”. Com sensor de torque, o motor fica acoplado ao seu esforço: na subida você precisa pedalar forte para subir, e na descida, se pedalar forte, recebe potência que nem queria. A experiência é parecida com uma bicicleta comum — sua no morro, alivia na descida.
Já o sensor de cadência com ajuste de nível no guidão faz o oposto: desacopla o terreno do seu esforço. O motor cobre a diferença entre o que suas pernas entregam e o que a subida exige — você pedala com a mesma intensidade o trajeto inteiro e chega ao trabalho sem suar. Para o commuter urbano de São Paulo, que encara as rampas da Serra da Cantareira no fim de semana mas precisa chegar apresentável na segunda-feira, isso é uma vantagem real, não uma limitação.
Na prática: quem busca exercício e sensação de bicicleta tradicional tende a preferir torque; quem busca transporte eficiente e previsível tende a preferir cadência com níveis. Na Cyberbikes Brasil você pode testar a Centauro e sentir na prática como o pedal assistido responde antes de decidir.
Perguntas que os ciclistas também fazem
Sensor de torque gasta menos bateria?
Não automaticamente. O consumo depende da potência média que o motor entrega, não do tipo de sensor. Um sensor de torque em multiplicador baixo tende a puxar menos bateria porque acompanha seu esforço — mas um sensor de cadência no nível 1 de assistência pode consumir ainda menos. Quem define a autonomia é o seu estilo de pedalada e o nível escolhido.
Posso ter acelerador e pedal assistido na mesma e-bike?
Tecnicamente sim — sistemas como o Cycle Analyst da Grin foram criados justamente para adicionar PAS a praticamente qualquer e-bike, convivendo com o acelerador. No Brasil, porém, atenção: pela Resolução 996/2023, se o acelerador dispensa a pedalada, o veículo deixa de ser equiparado à bicicleta e passa a outra categoria. Para manter sua e-bike legalmente uma bicicleta, o motor deve assistir apenas enquanto você pedala.
Como sei qual sensor a minha e-bike tem?
Faça o teste do esforço: pedale bem de leve, quase sem força. Se o motor entregar a potência cheia do nível selecionado mesmo assim, é sensor de cadência. Se a assistência ficar fraca e só crescer quando você pisa firme no pedal, é sensor de torque. Outra pista: sensores de cadência costumam aparecer como um anel de ímãs visível junto ao pedivela.
Por que minha e-bike não liga o motor quando pedalo para trás?
É proposital. Os sensores detectam a direção da rotação e ignoram a pedalada reversa — sem isso, o motor dispararia toda vez que você empurrasse a bike de ré no bicicletário. Em alguns sistemas avançados, pedalar para trás pode até ter função de controle, como ativar a frenagem regenerativa.
Quantos watts eu produzo pedalando?
Um ciclista urbano típico sustenta algo entre 50 e 150 W. Como potência humana = torque × cadência, uma e-bike com sensor de torque e display adequado consegue mostrar seus watts em tempo real — a Grin destaca que essa combinação custa uma fração de um medidor de potência de ciclismo profissional. Compare com os 850 W nominais do motor de uma e-bike de alto desempenho e você entende por que subir serra de e-bike é outra história.
Veja na prática: instalação e cuidados com o sistema
Quer ver como a equipe Cyberbikes lida com motores e cabeamento de sensores na oficina? No vídeo abaixo (do nosso canal em inglês, a mesma equipe Cyberbikes da Austrália), mostramos um erro comum na instalação de motores Bafang que pode romper o cabo do sensor — e como evitá-lo:
Cabo de sensor rompido é uma das causas mais comuns de PAS “morto” — o motor simplesmente para de responder à pedalada. Se a sua e-bike apresentar esse sintoma, vale inspecionar o chicote perto do movimento central antes de suspeitar do controlador.
Perguntas frequentes
Bicicleta elétrica com sensor de cadência é legal no Brasil?
Sim. A Resolução CONTRAN nº 996/2023 equipara a bicicleta elétrica à bicicleta comum quando a assistência funciona apenas enquanto o ciclista pedala e é limitada a 32 km/h — vale tanto para sensor de cadência quanto de torque, sem CNH nem emplacamento.
Dá para trocar o sensor de cadência por um de torque?
Em muitas e-bikes sim, geralmente substituindo o movimento central por um sensor de torque compatível e um controlador/display que leia o sinal analógico de força. É um upgrade de oficina especializada — traga sua e-bike na Cyberbikes para avaliarmos a compatibilidade.
Qual sensor é melhor para quem usa a e-bike no trabalho todos os dias?
Para commuting diário, o sensor de cadência com níveis de assistência costuma ser mais prático: você escolhe quanto quer suar, e o motor mantém o ritmo independentemente de subida, vento ou cansaço. É previsibilidade para chegar bem ao destino.
Sinta a diferença na prática
Especificação em papel é uma coisa; sentir o motor responder à sua pedalada é outra. Venha conhecer a Centauro e nossa linha de bicicletas elétricas de alto desempenho na loja da Cyberbikes Brasil: R. Embaré, 108 — Mirandópolis, São Paulo. Ou fale agora com nossos especialistas no WhatsApp: wa.me/5511943911718 — e pergunte também sobre o noss.
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